"Nasceu o meu filho!"
E saiu gritando pelo jardim inglês, o Sr. Oswald Neblim Ura.
Era então o ano de 1948. E o mundo sofria relevantes modificações.
Sr. Oswald, íntimo dos filósofos da época, destoava-se dos demais por
uma ganância destituída de humanitarismo. Nos meses que antecederam o
nascimento de seu primogênito, abandonara qualquer ideia socialista. Para ele,
agora só importava a saúde de seu pequeno Israel. E o crescimento oportuno
de seus bens.
A acendente carreira no banco central da cidade. E os seus novos amigos egípcios,
haviam melhorado e muito a vida do "pobre" Sr. Oswald.
Filho de um pai que vivia de pequenos serviços. Um eterno amargurado, pela perda de
seu único e bom emprego.
Filho igualmente de uma mãe católica, em um país de protestantes. Ignorante por condição
e beata por estúpida necessidade.
Oswaldo criou-se ressentido. Ressentido e violento.
Passou metade da adolescência entrando e saindo de gangues e reformatórios.
Casou-se com a filha de um renomado meteorologista americano. "Cassandra".
Cassandra, em tudo escutava Oswald, e o seu comportamento aparentemente passivo,
facilitou com que Oswald orquestrasse às suas vidas.
2013.
Israel tornou-se um homem velho. Velho e ranzinza, a embalar-se em sua cadeira de
balanço, de madeira de acácia.
Casou-se com uma palestina de nome Elizabeth. Quinze anos mais nova do que ele,
a quem muito maltratava, desde bastante tempo. Conheceram-se em um baile de
máscaras, realizado habitualmente no mês de Setembro na cidade natal da mãe de Israel,
Cassandra.
Elizabeth sofreu diversas humilhações nas mãos do sádico Israel.
Israel por sua vez, pouco importava-se. E sempre que podia, jogava-lhe no rosto a sua
posição abastada. E o tanto da riqueza de seus pais, de sua condição de herdeiro e de
que nunca precisou trabalhar.
Cansada de seus frequentes abusos, Elizabeth tardiamente talvez, resolveu que teria
um caso. E posse a escolher candidatos. Dentre eles, George destacou-se. Filho de
linhagem nobre, igualmente abastado como o marido. Bonito, carismático, ativista político.
"Um partidão"- pensou ela.
Então em oito de Agosto de 2008 enlaçaram-se em um hotel em Denver, Estados Unidos.
E iniciaram o seu caso.
Cinco anos se passaram e Israel parecia ainda indiferente a tudo. "Parecia".
Inventando uma viagem para visitar um antigo amigo de faculdade no Nepal. Fingiu partir.
Sem ser, sequer questionado do motivo da viagem, ou quem era o tal amigo de faculdade.
Passadas onze horas de sua saída, sorrateiramente adentrou o casarão.
E antes mesmo que pudesse flagrar o suposto casal de amantes, caiu morto ao chão.
Fuzilado por um tiro de um bacamarte.
Ao lado do corpo, jazia seu rival. George(looper) fumava um charuto fedorento e
ao vislumbrar Elizabeth adentrando a cozinha, disse apenas:
- Faça-me um chá, o homem-chuva está morto!
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