Despertou na cama com o corpo ensopado de suor, nos lençóis também ensopados.Tocou o rosto com a ponta dos dedos. Como se tivesse medo de desmoronar ao toque, de sumir na superfície. Lambeu os próprios lábios. Olhou para o teto e seu espelho, seu reflexo e o seu corpo. Fixou o olhar em seu rosto. E viu-se só. Não tão bela imagem, não tão difícil a vida. Não tão só o quarto. Não tão velho o rosto. Desceu ao pescoço, vislumbrou o corpo. Corpo que agora se ergue da cama. Vida que a espera atrás da porta. Vida que é melhor agora. Agora que está consigo. Com a vida, nem sempre se sente em cumplicidade. Com ela mesma, nem sempre se sente plena, nem sempre se sente só, nem sempre dá importância.
O que importa?
Se a cama às vezes é o seu oceano.
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