Eu devo ser o vilão.
Clássicamente, os cabeçudos o são.
E o mundo é ficção.
Tudo pode ser, só imaginação.
E não há ação, sem pensamento.
Sem lamento da reação.
Sem verso na contramão.
Eu devo ser o vilão.
Vil figura na escuridão.
Na tez, amargura de solidão.
E nos olhos a brancura,
de uma doce paixão.
Corrosivo detentor do coração.
Sanguínea espécime em deterioração.
Eu devo ser o vilão.
E você aí, tão calado.
Cínico e abobalhado.
Traído e acostumado.
Descomprometido e desinteressado.
Me responderia,
se não estivesse amordaçado?
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