segunda-feira, 23 de setembro de 2013

"Retrato" (Sannio)‏

Deixem-me sóbrio. Me abandonem.
Não me sigam e se puderem me esqueçam.
Eu não sou um exemplo. Eu sou apenas o fim. Sem nem mesmo um começo.
Basta de meninas embriagadas no portão. De fadas procurando pela sua varinha de condão.
Fartei-me do gim. Tragam-me agora às azeitonas. Às uvas, não os bagaços.
Chega de cadeiras de plástico, de mesas de plástico. Chega de isopores, chega de vapores
baratos. Chega de vagabundas, de bêbados, pilantras, estranhos, chatos.
"Que danem-se os poetas/ E os loucos desvairados/ Que rasgam os retratos pra esquecer"
(Tequila Baby - Velhas Fotos).
Parem de procurar em mim o lobo. Simplesmente parem.
Não serão meros demônios que hão de me dizer quem eu sou.

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