Cidade de Tapes, 2013.
Planeta Terra.
Há tanto tempo que eu não piso no mocó, ainda que eu saiba o caminho.
A prefeitura manda fechar as suas entradas para que não haja saída.
"Que os loucos se reúnam ao relento." - pensariam "eles", se realmente se importassem.
Não que isso possa impedi-los, nos impedir. Nunca pôde.
Talvez o maior prejudicado, seja um bêbado que por ali dormisse. Agora por imposição do tempo e da loucura, anda para baixo e para cima pela cidade donde pisa no asfalto oportunamente distribuído.
Mocó que já ardeu em chamas, teu incendiário jaz em tuas lembranças.
Sorte dos que nele estiveram em seus áureos tempos.
Teatro de atores improvisados nele se ajuntavam. Tantos segredos, tantos pecados.
A figueira que próxima lhe faz sombra, mal conhece os seus crimes.
Sim, o mocó sempre foi marginal. Na descrição literal da palavra. Na sua significação mais perfeita:
"Vagabundo!"
Imundo, aos olhos de alguns: "detestável".
Isso diriam os pais dos jovens rebeldes. Sem saberem que os seus filhos encenavam os
seus primeiros passos para a vida, naquele "teatro mágico".
Me pego a coçar a barba rala e triste recordo: "O mocó é para os jovens." Que façam bom proveito, escarneçam da vida cotidiana, riam , toquem, barbarizem.
Espalhem e se possível plantem a semente.
Não são às pedras que o constituem que tornam o lugar mágico:
"São vocês!"
*Parte 2. Do texto:" Vagabundos de Tapes". Postado no blog "AGENTES DA L.O.U.C.A" em 15 de Maio de 2013.
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