Construções abandonadas me atraem
E suas histórias mal contadas
Na prosopopeia paródica irônica de sua gramática
Construções inacabadas tais coitos descobertos
Abertas fendas das mesmices de tuas frestas
Nos seios apertados, embolados, lambidos, acesos
Cansados, calistos, apagados
Tijolos e madeiras podres
Cupins e bichos bola
Oras, horas, minutos, segundos, terceiros sem saber
Esconde, sonha, apanha, morre, socorre, violenta
Esquenta, esfria, saudades, pesar, vandalismo, melancolia
Dislexia nas coxas quentes das tardes frias
Muita sujeira, beira a beira às mãos vazias
Construções abandonadas me atraem
Me seduzem em seus corredores, feito dores
Pecadores que ao bem dá vida não há, nem hão
Uma pá, nomes pichados, dentes cariados, segredos, sãos
Cimentado o cinza da busca
A flor na tua blusa
O pendão na calçada
Às safadezas das safadas, dos falácios, dos tarados
Dá-me o teu perdão
E eu te deito ao moletom
E te encharco de "Molon", de "Ninon"
De gozo na penumbra
Sua louca, a tua boca
E só a minha
* Molon - vinho; Ninon - cachaça
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