terça-feira, 11 de março de 2014

"Mãos" (Sannio)

Mãos que seguram outras
que abrem ostras
que quebram
Mãos que abrem portas
Mortas, cerram o peito
Mãos que com as quais eu falo
Cerro o murro no móvel
Enquanto imóvel, apenas aguardo
Se guardo e não falo
Estendo ao toque
Fios enlaçados, do laço que faço, desato outros nós 
Nós...
Apenas gêmeas
Uma acaricia, a outra espreme
Esconde os olhos, os lábios, os ouvidos
Abraça, estende os braços
Um rosto em tuas palmas
Almas
Em linhas brancas
De encontro aos céus
Segurando
Sem te perder
no silêncio 


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